A presidenta da Corte Constitucional da Colômbia, Diana Fajardo, confirmou em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira que o tribunal aceitou para análise o pedido da Colpensiones, a gestora estatal de pensões, para postergar a data de vigência da reforma pensional aprovada pelo Congresso em junho de 2024. A solicitação alega que o sistema informatizado da entidade não estaria preparado para implementar as novas regras a partir de 1º de janeiro de 2025, conforme previsto originalmente.
A reforma, sancionada pelo presidente Gustavo Petro, cria um pilar solidário obrigatório que direciona parte das contribuições dos trabalhadores para um fundo público gerido pela Colpensiones, reduzindo o espaço dos fundos privados de pensão (AFP). O modelo foi amplamente criticado por economistas liberais e pelo setor financeiro por aumentar o risco fiscal e reduzir a liberdade de escolha dos trabalhadores.
O pedido de adiamento, apresentado formalmente pela Colpensiones no início de novembro, argumenta que a integração dos sistemas de informação entre as AFP e a entidade estatal ainda não foi concluída, e que a implementação apressada poderia gerar erros no pagamento de benefícios. Em nota oficial, a Colpensiones afirmou que “a segurança dos dados e a correta operação do sistema são prioridades absolutas”.
A decisão da Corte Constitucional de aceitar o caso não significa que o adiamento será concedido. O tribunal terá até 30 dias para emitir um parecer, segundo a presidenta Fajardo. Durante esse período, a vigência da reforma permanece suspensa provisoriamente, gerando um vácuo regulatório que preocupa investidores e seguradoras.
**Por que isso importa**
A reforma pensional colombiana é uma das peças centrais da agenda econômica do governo Petro. Se implementada, ela transferirá cerca de 30% do mercado de pensões privadas para o setor público, segundo cálculos da Associação Colombiana de Administradoras de Fundos de Pensão (Asofondos). O impacto fiscal estimado pelo Ministério da Fazenda é de um aumento de 0,8% do PIB nos gastos públicos nos primeiros cinco anos, com tendência de crescimento.
Para o mercado, o adiamento traz alívio imediato, mas incerteza sobre o futuro. As ações das AFP listadas na Bolsa de Valores da Colômbia subiram cerca de 2% após o anúncio, conforme dados da Reuters. No entanto, analistas do Banco da República alertam que a indefinição regulatória pode desestimular novos investimentos no setor de previdência complementar.
**Análise FORTIS**
A situação colombiana é mais um exemplo de como intervenções estatais no sistema previdenciário, disfarçadas de “proteção social”, geram ineficiência e riscos fiscais. A reforma de Petro, ao concentrar recursos em um fundo público, repete o erro de países como Brasil e Argentina, onde a previdência estatal se tornou um poço sem fundo de déficits.
O pedido de adiamento da própria Colpensiones expõe a fragilidade do planejamento governamental. Se o sistema não está pronto, a pressa em aprovar a reforma foi irresponsável. A Corte Constitucional, ao aceitar o caso, dá um sinal de que a legalidade e a viabilidade técnica devem ser respeitadas, mas a decisão final será política.
Do ponto de vista liberal-conservador, o melhor caminho seria manter o sistema de capitalização individual, com liberdade de escolha entre fundos privados e estatais, e um pilar solidário mínimo financiado por impostos gerais, não por contribuições compulsórias. A reforma aprovada vai na direção oposta: estatiza, burocratiza e aumenta o endividamento futuro.
**Contraponto**
Defensores da reforma, como o senador governista Iván Cepeda, argumentam que o modelo atual exclui milhões de trabalhadores informais e que o pilar solidário é necessário para garantir uma aposentadoria mínima universal. Em entrevista à Rádio Caracol, Cepeda disse: “Não podemos aceitar que o sistema privado deixe 70% dos colombianos sem pensão.”
O dado, porém, é contestado. Estudos da Universidade de los Andes mostram que a informalidade é um problema estrutural que a reforma não resolve — ela apenas transfere o ônus para o Estado. Além disso, a experiência internacional demonstra que sistemas de capitalização bem regulados, como o chileno e o australiano, têm maior cobertura e sustentabilidade fiscal.
**1. O que acontece se a Corte Constitucional negar o adiamento?** Se a Corte rejeitar o pedido, a reforma entra em vigor em 1º de janeiro de 2025, conforme o cronograma original. A Colpensiones teria que operar com sistemas ainda não testados, o que pode gerar atrasos e erros nos pagamentos. O mercado reagiria negativamente, com possível fuga de capitais das AFP.
**2. Quais são as alternativas para o sistema previdenciário colombiano?** A alternativa liberal-conservadora seria manter a capitalização individual obrigatória, com um pilar solidário financiado por impostos gerais e não por contribuições. Isso garantiria cobertura universal sem aumentar o déficit público. Outra opção seria permitir que trabalhadores escolham entre o sistema público e privado, como ocorre no Peru. Ambas as soluções exigem reformas complementares na tributação e no mercado de trabalho.
Por Renan Filho · 2026-09-24