O alcalde de Santa Marta, Carlos Pinedo, voltou a adotar um tom firme diante da crescente onda de criminalidade que assola a região caribenha da Colômbia. Em declaração à imprensa local, na última terça-feira, Pinedo afirmou que a administração municipal não recuará diante de grupos armados que tentam impor controle territorial na cidade. “Ninguna banda va a tener éxito”, declarou o prefeito, em uma mensagem direta a facções criminosas que disputam rotas de narcotráfico e pontos de venda de drogas na capital do Magdalena.
A fala de Pinedo ocorre em um momento crítico. Santa Marta registrou um aumento expressivo de homicídios e extorsões nos últimos meses, com relatos de disputas entre o Clan del Golfo, as Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada e grupos dissidentes das FARC. A violência não se limita às áreas rurais; bairros periféricos e até o comércio local têm sido alvo de pressão criminosa, com exigências de pagamento de “vacunas” (taxas de proteção) a empresários e transportadores.
O prefeito, que assumiu o cargo em janeiro de 2024 com uma plataforma de ordem e desenvolvimento econômico, tem buscado articular uma resposta coordenada com a Polícia Nacional e a Fiscalía. “Não vamos permitir que a criminalidade defina o futuro da nossa cidade. Santa Marta é um destino turístico, um polo portuário e um lugar de gente trabalhadora”, afirmou Pinedo, conforme registro em publicação nas redes sociais da prefeitura.
**Por que isso importa**
A postura de Pinedo é um contraponto à tendência de alguns governos locais na América Latina de adotar políticas de negociação ou tolerância com grupos criminosos em troca de trégua. Em países como Colômbia, México e Brasil, experiências desse tipo frequentemente resultam em fortalecimento das facções e manutenção do medo como ferramenta de controle social. A declaração do alcalde de Santa Marta, portanto, é um sinal de que a administração local aposta na linha dura, com uso de inteligência policial e presença estatal.
Do ponto de vista liberal-conservador, a segurança é pré-requisito para o funcionamento do livre mercado. Sem garantia de propriedade e integridade física, pequenos negócios — que sustentam a economia local — são inviabilizados. A extorsão, por exemplo, eleva custos operacionais e afugenta investimentos, gerando um ciclo de pobreza e informalidade.
**Análise FORTIS**
A mensagem de Pinedo é simbolicamente relevante, mas a história recente da Colômbia ensina que discurso firme não basta. As Forças Militares e a Polícia Nacional colombianas têm um histórico de combate ao narcotráfico que, apesar de avanços, nunca conseguiu eliminar a capacidade de reorganização das facções. Isso ocorre, em parte, porque o Estado colombiano ainda carece de uma política de segurança cidadã que integre prevenção social, reforma do sistema prisional e fortalecimento institucional nas zonas rurais mais remotas.
Santa Marta, especificamente, enfrenta um déficit histórico de infraestrutura urbana e de presença estatal em áreas de invasão, onde a criminalidade encontra terreno fértil. O combate efetivo ao crime exigirá não apenas a resposta policial, mas também políticas de formalização de propriedade, urbanização de assentamentos precários e estímulo ao empreendedorismo local — pilares que se alinham à visão de estado mínimo e livre mercado.
A crítica que se impõe é sobre a execução. A declaração de “guerra” sem um plano concreto de investimentos em inteligência e tecnologia pode resultar em mais violência no curto prazo, com a população ficando entre dois fogos. Grupos criminosos não se dissolvem por discurso; eles se adaptam.
**Contraponto**
Defensores de uma abordagem mais social argumentam que a repressão pura pode agravar o problema, alimentando o ciclo de violência e encarceramento em massa sem atacar as causas estruturais, como a desigualdade e a falta de oportunidades para jovens. Alguns setores da esquerda colombiana defendem a negociação com grupos armados como via para a pacificação, citando exemplos como o acordo com as FARC em 2016, que reduziu a intensidade do conflito, mas não eliminou a violência — que em grande parte migrou para outras organizações.
O próprio governo Petro, de orientação esquerdista, tem adotado uma política de “paz total” com negociações simultâneas com vários grupos, uma abordagem que ainda não apresentou resultados consistentes e gera ceticismo entre especialistas em segurança. A posição de Pinedo, portanto, não apenas se opõe à criminalidade, mas também se distancia politicamente da estratégia central do governo federal.
**1. Quais são as principais facções que atuam em Santa Marta?**
Santa Marta é uma zona estratégica para o tráfico de drogas, pois possui porto e proximidade com a Serra Nevada de Santa Marta, uma rota histórica para cultivo e transporte de cocaína. Entre os grupos mais ativos estão o Clan del Golfo, as Autodefensas Conquistadoras de la Sierra Nevada (ACSN) e dissidências das FARC, como o Estado Mayor Central. Esses grupos disputam o controle de territórios urbanos e rurais, além de rotas de contrabando.
**2. O que Carlos Pinedo propôs concretamente para combater a criminalidade?**
Além do discurso firme, a administração de Pinedo anunciou um plano de reforço da videovigilância na cidade, aumento do patrulhamento em bairros críticos e criação de uma unidade especial de inteligência municipal. No entanto, críticos apontam que essas medidas dependem de cooperação com o governo nacional e de recursos que ainda não foram plenamente alocados. O alcalde também tem solicitado ao governo Petro o envio de mais efetivo militar para a região, o que tem sido parcialmente atendido.
Por Renan Filho · 2026-09-23