As forças armadas da Colômbia iniciaram na última segunda-feira a Operação ‘Liberdade Soberana’, uma ofensiva conjunta do Exército, Polícia Nacional e Força Aérea para retomar o controle total da cidade portuária de Santa Marta. Em declaração oficial, o Ministério da Defesa afirmou que o objetivo é ‘desmantelar as estruturas criminosas que há 60 anos subjugam a população local’. A operação envolve cerca de 5.000 efetivos, apoio aéreo e bloqueios navais.
Santa Marta, capital do departamento de Magdalena, é um dos principais portos do Caribe colombiano e há gerações é disputada por facções do narcotráfico, grupos paramilitares e milícias urbanas. Dados oficiais do Instituto Nacional de Medicina Legal indicam que a taxa de homicídios na cidade é de 72 por 100 mil habitantes, mais que o triplo da média nacional (21). Em publicação nas redes sociais, o governador de Magdalena, Carlos Caicedo, declarou: ‘Não podemos mais tolerar que o crime organize a vida dos cidadãos. Esta operação é necessária, mas não será suficiente se não houver reformas profundas no Estado.’
O contexto histórico revela um fracasso sistêmico do Estado colombiano. Desde o fim dos anos 1960, Santa Marta foi transformada em rota estratégica para o tráfico de cocaína e armas. A ausência de presença estatal efetiva, combinada com uma carga tributária que sufoca o empreendedorismo formal, criou um vácuo preenchido por grupos criminosos que oferecem ‘serviços’ de segurança, crédito e justiça paralela. Segundo relatório do Banco Mundial de 2025, a economia de Santa Marta perdeu 35% do PIB potencial nas últimas duas décadas devido à violência e à extorsão, impacto que equivale a US$ 4,2 bilhões em tributos não arrecadados e oportunidades perdidas.
Por que isso importa? A Colômbia gasta anualmente 3,7% do PIB em segurança e defesa – uma das maiores proporções da América Latina – e mesmo assim o crime organizado segue intacto em vastas regiões. O governo de Gustavo Petro, de orientação progressista, triplicou os gastos sociais em Magdalena desde 2022, mas a corrupção e a ineficiência burocrática desviaram boa parte dos recursos. Em entrevista à rádio local, o prefeito de Santa Marta, Virgilio Moreno, afirmou que ‘a população está exausta de promessas e quer resultados. Precisamos de menos impostos para quem gera emprego e mais punição para quem rouba.’ A declaração ecoa o pensamento liberal-conservador: o Estado falha não por falta de dinheiro, mas por má gestão e por sufocar o setor produtivo com tributos que alimentam uma máquina ineficaz.
Análise FORTIS: A operação atual é corajosa e necessária no curto prazo. Nenhuma sociedade livre pode tolerar o domínio armado de facções criminosas. No entanto, sem uma reforma estrutural que reduza o tamanho do Estado, desburocratize a economia e garanta segurança jurídica para investimentos, Santa Marta continuará sendo um barril de pólvora. O governo Petro gastou US$ 2,8 bilhões em programas sociais em Magdalena nos últimos três anos – mas a taxa de informalidade segue em 68%. O dinheiro não chega a quem precisa porque o Estado é o maior obstáculo. A verdade factual é que o crime organizado floresce onde a liberdade econômica é mínima e o Estado é predador ou ausente. Uma política de ‘mão forte’ sem livre mercado é apenas mais desperdício.
Contraponto: Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, criticam a operação por ‘militarizar o cotidiano’ e alertam para possíveis violações. Em nota, a entidade afirmou que ‘a história mostra que ações militares sem acompanhamento social duradouro geram mais violência’. A FORTIS reconhece o risco, mas aponta que o ‘acompanhamento social’ proposto pela esquerda frequentemente se traduz em mais subsídios ineficientes. A solução não é gastar mais, mas gastar melhor – e, acima de tudo, permitir que os cidadãos gerem riqueza sem serem extorquidos pelo fisco ou pelo crime. O estado mínimo não significa ausência de Estado, e sim um Estado que cumpre sua função primordial: proteger a vida e a propriedade.
Por Renan Filho · 2026-09-26