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Barranquilla se prepara para meses de chuva, mas gestão pública e tributação alta ameaçam resposta eficiente

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Enquanto o fenômeno El Niño eleva as temperaturas no Caribe colombiano, Barranquilla entra na temporada de chuvas mais intensa do ano. A cidade anuncia planos de contingência, mas o histórico de gastos ineficientes e burocracia levanta dúvidas sobre a capacidade real de proteção da população.

Com a chegada de setembro, Barranquilla se vê diante do paradoxo climático típico do El Niño: termômetros acima da média histórica convivem com a iminência das chuvas torrenciais que marcam o segundo semestre na região caribenha. O Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Colômbia (IDEAM) projeta que, entre outubro e novembro, os acumulados pluviométricos podem atingir valores próximos à média — entre 150 e 200 mm mensais —, mesmo com a presença do fenômeno que, em teoria, reduziria a precipitação no norte do país.

A Prefeitura de Barranquilla anunciou, em publicação nas redes sociais, a ativação do Plano de Contingência contra Inundações, que prevê a limpeza de 120 km de canais pluviais e a instalação de 15 bombas de drenagem adicionais. Segundo a administração municipal, R$ 45 milhões (aproximadamente 38 bilhões de pesos colombianos) foram alocados para obras emergenciais. No entanto, o valor representa menos de 2% do orçamento anual da cidade, e grande parte dos recursos já estava prevista em contratos anteriores — uma prática que, na avaliação de especialistas em gestão pública, revela a falta de planejamento de longo prazo.

Por que isso importa? Porque Barranquilla é um polo logístico e industrial crucial para a Colômbia. O porto da cidade movimenta cerca de 60% do comércio exterior do país. Cada paralisação por alagamentos custa milhões às empresas e, em última instância, ao contribuinte. A ineficiência estatal não é um problema abstrato: ela se traduz em ruas intransitáveis, perda de horas de trabalho e danos a propriedades que, muitas vezes, não são seguradas.

Análise FORTIS: O discurso oficial tenta vender a ideia de que “o governo está preparado”. Os fatos dizem o contrário. Nos últimos cinco anos, Barranquilla gastou mais de R$ 200 milhões em manutenção de sistemas de drenagem, mas as enchentes de 2022 — que deixaram 12 bairros submersos — mostraram que o dinheiro não se traduziu em resiliência. O problema não é falta de recursos; é a má alocação deles. Enquanto a máquina pública consome 35% do PIB colombiano em tributos, as obras básicas continuam reféns de licitações morosas e aditivos contratuais que beneficiam empresas ligadas ao poder político.

O setor privado, por sua vez, não espera. A Câmara de Comércio de Barranquilla, em parceria com seguradoras, lançou um programa de incentivos para que pequenos empresários instalem barreiras anti-inundação e sistemas de bombeamento autônomos. A iniciativa, que custa menos de R$ 2 milhões, tem potencial para proteger centenas de estabelecimentos comerciais. Enquanto o Estado gasta 20 vezes mais com resultados duvidosos, a iniciativa privada mostra que soluções enxutas e focadas funcionam.

Contraponto: É verdade que o El Niño traz imprevisibilidade. O IDEAM alerta que, apesar das chuvas sazonais, a temperatura média pode ultrapassar 34°C, aumentando a evaporação e reduzindo a eficácia dos sistemas de drenagem. Mas isso não justifica a falta de manutenção preventiva. A própria agência climática recomenda que cidades como Barranquilla invistam em infraestrutura verde — como parques de biorretenção e pavimentos permeáveis —, soluções de baixo custo que o município insiste em ignorar.

A soberania nacional também está em jogo. Quando a infraestrutura falha, a população depende de ajuda internacional ou de ONGs, muitas vezes vinculadas a agendas políticas externas. Um Estado que não consegue garantir o básico — como ruas que não alagam — abre espaço para ingerências que fragilizam a autonomia do país. Barranquilla precisa de menos discursos e mais ação baseada em dados, com transparência nos gastos e participação do setor produtivo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.