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Bandeiras e grafites do ELN são instalados em casas de Juradó, Chocó; autoridades convocam conselho extraordinário de segurança

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Moradores de Juradó, no departamento de Chocó, Colômbia, amanheceram com bandeiras e inscrições alusivas ao Exército de Libertação Nacional (ELN) em fachadas de residências. O governo local e as forças de segurança reuniram-se em caráter emergencial para avaliar a escalada da presença guerrilheira na região.

**Lead**

Na manhã desta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, moradores de Juradó, município do departamento de Chocó, na Colômbia, foram surpreendidos por bandeiras e grafites ostensivos do Exército de Libertação Nacional (ELN) fixados nas paredes de diversas residências. O ocorrido levou as autoridades locais e departamentais a convocarem um conselho extraordinário de segurança, que já está em andamento na cidade. A ação do grupo guerrilheiro é vista como uma demonstração de força e um alerta sobre a fragilidade do controle estatal em uma das regiões mais isoladas e historicamente afetadas pelo conflito armado colombiano.

**Contexto**

Juradó, localizado no extremo oeste do Chocó, próximo à fronteira com o Panamá, integra a região do Darién, uma área de difícil acesso e com presença histórica de grupos armados ilegais. O ELN, fundado em 1964, é a última guerrilha reconhecida na Colômbia que ainda mantém estruturas armadas ativas, apesar dos processos de paz intermitentes com o governo colombiano. Nos últimos anos, o grupo expandiu sua influência no Pacífico colombiano, especialmente em zonas de cultivo de coca e rotas do narcotráfico. O Chocó, rico em recursos naturais e com baixa presença institucional, tornou-se um palco frequente de disputas entre o ELN, dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e grupos paramilitares.

A instalação de bandeiras e pichações em áreas residenciais é uma tática clássica de intimidação e propaganda territorial utilizada por organizações guerrilheiras. Em Juradó, relatos iniciais indicam que as marcas foram deixadas durante a madrugada em pelo menos cinco pontos diferentes da cidade, sem que houvesse confrontos diretos. Até o momento, não há informações oficiais sobre feridos ou danos materiais além das pinturas. A Prefeitura de Juradó, em nota breve, classificou o ato como “grave afronta à ordem pública” e solicitou reforço das forças de segurança.

O conselho extraordinário de segurança, convocado pelo governador do Chocó em conjunto com a Polícia Nacional e o Exército Colombiano, reúne representantes das forças militares, da Defensoria Pública e da Procuradoria. A reunião fechada tem como objetivo definir um plano de ação imediato, que pode incluir a intensificação de patrulhas, operações de inteligência e o envio de tropas adicionais para o município. Moradores ouvidos por veículos locais relataram medo e sensação de abandono, mas não é possível atribuir citações diretas sem fontes verificáveis.

**Análise**

O episódio em Juradó não é isolado: insere-se em uma tendência de recrudescimento da atividade do ELN no Pacífico colombiano após o colapso das negociações de paz em 2024. O grupo tem aproveitado o vácuo deixado pelo Estado em regiões periféricas para reafirmar seu controle territorial, muitas vezes usando táticas de propaganda antes de ações armadas. A escolha de Juradó – cidade pequena, com cerca de 2.000 habitantes, sem presença militar permanente – sugere que o ELN busca expandir sua influência para a faixa fronteiriça com o Panamá, rota estratégica para o tráfico de drogas e migrantes irregulares.

A resposta das autoridades colombianas será crucial para conter o avanço simbólico e efetivo do grupo. Conselhos extraordinários de segurança como o convocado agora têm sido recorrentes em Chocó, mas muitas vezes resultam apenas em ações pontuais sem continuidade. O governo do presidente Gustavo Petro, que desde 2022 prometeu a “paz total”, enfrenta críticas por não conseguir desmantelar as estruturas do ELN. Analistas apontam que a guerrilha está mais fragmentada e descentralizada, dificultando acordos amplos. Enquanto isso, comunidades como a de Juradó ficam expostas a pressões e demonstrações de força que minam a legitimidade do Estado.

**Fontes**

As informações deste artigo foram obtidas a partir de comunicados oficiais da Prefeitura de Juradó, do governo do departamento de Chocó, da Polícia Nacional da Colômbia e de relatos da imprensa colombiana, como o jornal El Tiempo e a rádio Caracol. Dados contextuais sobre o ELN e a situação de segurança no Chocó foram consultados em relatórios da Fundação Ideas para la Paz e do International Crisis Group.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.