Um atentado sicarial registrado na tarde desta quinta-feira, 24 de setembro, no município de Soledad, no departamento do Atlântico, Colômbia, deixou dois mortos e três feridos. Segundo as primeiras informações, um homem de 80 anos, que passava pelo local no momento do ataque, teria sido atingido e veio a óbito — uma vítima colateral do crime encomendado.
O ataque ocorreu em uma área movimentada da cidade, conhecida pelo comércio popular e pela circulação intensa de pessoas. De acordo com a polícia local, dois homens em uma motocicleta teriam efetuado os disparos contra um grupo de pessoas. O alvo seria um homem com passagens por tráfico de drogas, que morreu no local. O idoso de 80 anos, no entanto, não tinha qualquer relação com o crime — apenas estava no lugar errado, na hora errada.
A dinâmica do atentado é conhecida das autoridades colombianas: o chamado "sicariato", prática que envolve assassinos de aluguel, geralmente ligados a organizações criminosas que disputam o controle do microtráfico e de outras atividades ilegais. A Colômbia, apesar dos esforços das forças de segurança, segue refém de uma guerra silenciosa que mata inocentes com regularidade alarmante.
A terceira vítima fatal seria um jovem de 22 anos, que estaria acompanhando o alvo no momento do ataque. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Os outros três feridos foram encaminhados para hospitais da região, sendo que um deles, uma mulher de 34 anos, segue em estado grave. As informações são preliminares e podem ser atualizadas à medida que os boletins médicos oficiais forem divulgados.
A polícia de Soledad já iniciou as investigações e trabalha com a hipótese de acerto de contas entre facções criminosas. No entanto, nenhum suspeito foi preso até o fechamento desta matéria. O que se sabe até o momento é que os atiradores fugiram logo após o ataque, tomando destino ignorado.
Por que isso importa?
O caso de Soledad não é isolado. A Colômbia tem uma das maiores taxas de homicídio da América Latina, e a região do Atlântico, apesar de ser um dos principais polos econômicos do país, convive com a violência urbana de forma crônica. O problema não é exclusividade da Colômbia — é uma realidade que se repete em diversos países da América Latina, incluindo o Brasil, onde o crime organizado age com cada vez mais ousadia.
A morte de um idoso de 80 anos, que nada tinha a ver com o crime, expõe a falência de um modelo de segurança pública que trata o problema como mera questão de polícia, quando deveria tratá-lo como uma questão de Estado. Enquanto o poder público não combater a raiz do crime organizado — que inclui o tráfico de drogas, o contrabando de armas e a corrupção institucional —, os cidadãos de bem continuarão sendo as maiores vítimas de um conflito que não é delas.
Análise FORTIS
A violência na Colômbia, assim como em grande parte da América Latina, é o resultado de décadas de políticas públicas equivocadas, que oscilam entre o populismo penal e a leniência com o crime. O Estado, que deveria proteger o cidadão, falha duplamente: primeiro, ao não investir em inteligência e no combate efetivo ao crime organizado; segundo, ao insistir em um modelo econômico que alimenta a informalidade e a criminalidade.
O atentado em Soledad é um exemplo clássico de como o crime organizado age com impunidade. Os sicários não temem a polícia, porque sabem que o sistema judiciário é lento e ineficaz. Não temem a sociedade, porque agem sob encomenda e com frieza. E o Estado, atolado em burocracia e corrupção, não oferece resposta à altura.
É preciso coragem para reconhecer que a solução para a violência não passa apenas de mais polícia na rua. Passa por reformas estruturais que incluam o endurecimento das penas para crimes violentos, a criação de um sistema prisional que efetivamente reabilite e puna, e o fortalecimento das polícias com inteligência e tecnologia de ponta. Mais do que isso, é preciso dar ao cidadão a liberdade econômica necessária para que ele não precise depender do crime para sobreviver.
Contraponto
As autoridades locais, em declaração à imprensa, afirmaram que a polícia está envidando esforços para identificar e capturar os responsáveis. Em nota oficial, a Prefeitura de Soledad manifestou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou que vai reforçar o policiamento na região.
No entanto, a população local sabe que promessas de reforço policial não impedem novos ataques. O sentimento de insegurança é crescente, e a confiança nas instituições é cada vez menor. Enquanto o Estado não agir de forma firme e coordenada, os cidadãos de Soledad — e de tantas outras cidades latino-americanas — continuarão reféns do medo.
O caso ainda está sob investigação. A polícia não descarta a hipótese de que o idoso de 80 anos tenha sido atingido por uma bala perdida, mas as circunstâncias do ataque indicam que ele foi mesmo uma vítima colateral. A população, por sua vez, segue apreensiva, aguardando respostas que talvez nunca cheguem.
Por Renan Filho · 2026-09-24