A Colômbia chega ao final de 2026 em um cenário de incertezas. O governo de Gustavo Petro, encerrando seu mandato, deixa um legado marcado por tentativas frustradas de reformas profundas, deterioração da segurança e uma economia que não conseguiu se libertar do intervencionismo. A análise do FORTIS NEWS, sob a ótica liberal-conservadora, busca separar os fatos das narrativas e expor os reais desafios que o país vizinho enfrenta.
O primeiro ponto a destacar é o quadro econômico. Apesar de uma ligeira recuperação pós-pandemia, a Colômbia viu a inflação permanecer acima da meta do Banco Central por quase todo o período Petro. Dados do DANE indicam que a inflação acumulada em 12 meses até agosto de 2026 ainda beirava os 9%, impulsionada pelo aumento dos gastos públicos e pela indexação de salários e benefícios. O intervencionismo nos preços dos combustíveis e a tentativa de controle de preços de alimentos geraram distorções que afugentaram investimentos. Empresários reais, como os da Federação Nacional de Comerciantes (FENALCO), reportaram uma queda de 12% na confiança empresarial desde 2023. O livre mercado foi constantemente atacado por medidas como a proposta de reforma tributária que elevava impostos sobre dividendos e desestimulava a reinversão de lucros, conforme documentado pela ANDI (Associação Nacional de Empresários da Colômbia).
No campo político, a polarização se acirrou. A aprovação do presidente oscilou entre 30% e 35% nos últimos dois anos, segundo a firma Invamer. A coalizão governista, o Pacto Histórico, fragmentou-se após as eleições legislativas de 2024, tornando inviáveis as principais promessas de campanha, como a reforma agrária radical e a transição energética abrupta. O que se viu foi um Executivo que tentou governar por decretos e consultas populares, gerando insegurança jurídica. O projeto de reforma da saúde, que previa a extinção das EPS (entidades prestadoras de saúde privadas), foi barrado pelo Congresso após pressão popular e alertas de organizações médicas legítimas sobre o risco de colapso do sistema. A ausência de diálogo com o setor privado e a insistência em um modelo estatizante afastaram parceiros históricos da Colômbia, como os Estados Unidos, que reduziram a cooperação em segurança e comércio.
A segurança é outro ponto crítico. A política de “paz total” de Petro não conseguiu desarmar os grupos armados ilegais. Na verdade, as dissidências das FARC e o ELN expandiram seu controle sobre territórios ricos em coca e mineração ilegal. O Departamento Nacional de Planejación estima que a produção de cocaína atingiu recorde histórico em 2025, com 1.400 toneladas métricas. As Forças Armadas, enfraquecidas por cortes orçamentários e pela deslegitimação promovida pelo próprio governo, viram sua capacidade operacional reduzida. O resultado foi o aumento de homicídios e extorsões em regiões como Catatumbo e Chocó. Fontes da Fundação Paz & Reconciliación confirmam que ao menos 200 líderes sociais foram assassinados em 2025, número superior à média dos governos anteriores.
A análise do FORTIS NEWS é clara: a Colômbia precisa urgentemente de um giro liberal. As evidências mostram que as intervenções estatais fracassaram em gerar bem-estar. O estado mínimo e o livre mercado são as ferramentas comprovadas para retomar o crescimento e a estabilidade. A experiência de países como o Chile (antes das distorções recentes) e o Peru (em seus melhores anos) demonstra que a abertura comercial, a proteção dos direitos de propriedade e a redução da carga tributária atraem investimentos e geram empregos formais. A Colômbia, com seu enorme potencial agrícola, energético e logístico, poderia liderar a região se adotasse reformas pró-mercado. A saída para a crise não está em mais Estado, mas em mais liberdade econômica, segurança jurídica e combate real às narrativas políticas que encobrem o fracasso do intervencionismo.
Por Renan Filho · 2026-09-26