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Colômbia: ameaças de morte contra candidata a rainha do Carnaval expõem falência do Estado na segurança pública

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Ameaças de morte contra uma aspirante ao reinado do Carnaval de Juan de Acosta acenderam o alarme sobre a incapacidade do Estado colombiano em garantir a segurança de cidadãos e eventos culturais. Prefeitura e candidatas cobram investigação célere, mas o histórico de impunidade no país levanta dúvidas sobre a efetividade das autoridades.

A pacata cidade de Juan de Acosta, no departamento do Atlântico, na Colômbia, foi surpreendida por um caso de violência que mancha a tradição do Carnaval. Uma das candidatas ao posto de rainha da festa denunciou publicamente ter recebido ameaças de morte, conforme registro feito na delegacia local. A notícia, divulgada em primeira mão por veículos regionais, obrigou a prefeitura e as demais concorrentes a se manifestarem pedindo uma investigação rigorosa.

O episódio ocorre em um contexto de insegurança que afeta não apenas as grandes cidades colombianas, mas também municípios menores. Juan de Acosta, conhecida por suas praias e pelo Carnaval tradicional, vê agora sua festa mais icônica ser ofuscada por um ato de covardia. Ameaças de morte, especialmente contra mulheres em posição de destaque, não são novidade na América Latina, mas a naturalidade com que são tratadas por alguns setores é alarmante.

Segundo a candidata ameaçada, que preferiu não ter o nome divulgado por razões de segurança, as ameaças chegaram por meio de mensagens anônimas nas redes sociais. O teor das mensagens incluía ameaças diretas à sua vida e à sua família caso insistisse em participar do concurso. A denúncia foi formalizada na Polícia Nacional, que agora tem o dever de apurar os fatos. Entretanto, a taxa de esclarecimento de crimes na Colômbia — especialmente os digitais — é baixíssima. Dados oficiais do Ministerio de Justicia indicam que menos de 10% das ameaças virtuais resultam em condenação.

A reação da prefeitura foi imediata: em nota oficial, o prefeito de Juan de Acosta, Juan Carlos Rodríguez, repudiou as ameaças e prometeu reforçar a segurança do evento. As outras candidatas também se solidarizaram, pedindo que a polícia atue com celeridade. No entanto, a população local questiona se a promessa será cumprida. Em um país onde o Estado gasta mal os recursos e entrega serviços públicos de baixa qualidade, a confiança nas instituições é frágil. O orçamento da segurança pública na Colômbia é alto em termos percentuais do PIB, mas os resultados deixam a desejar: a impunidade supera 90% nos crimes comuns.

Por que isso importa? O Carnaval de Juan de Acosta não é apenas uma festa; é um motor econômico para a região. O evento atrai turistas, gera empregos temporários e movimenta o comércio local. Quando a segurança é ameaçada, toda a cadeia produtiva sofre. Pequenos empreendedores, barraqueiros e artistas dependem dessa época do ano para complementar a renda. A violência não apenas intimida uma candidata, mas desestimula a participação popular e afasta visitantes. O custo da insegurança recai sobre quem mais precisa de dinamismo econômico.

Análise FORTIS: O caso de Juan de Acosta é mais um exemplo de como o modelo estatista falha em proteger o cidadão. O Estado colombiano arrecada tributos elevados — a carga tributária chega a 31% do PIB —, mas a contrapartida em segurança é pífia. Enquanto políticos prometem investigações e discursos inflamados, os recursos são desviados para burocracias ineficientes e programas assistenciais que não resolvem as causas da violência. A solução liberal-conservadora passaria por desburocratizar as forças policiais, permitir maior participação da iniciativa privada em segurança suplementar e, principalmente, garantir penas duras e cumpridas para crimes de ameaça. O respeito à propriedade e à vida não pode depender de promessas vazias.

Contraponto: É verdade que a Colômbia fez progressos significativos na redução da criminalidade nas últimas décadas, sobretudo em comparação com os anos do narcotráfico desenfreado. A Polícia Nacional tem mais recursos e treinamento do que em muitos vizinhos. No entanto, a persistência de ameaças contra mulheres durante eventos culturais mostra que os avanços são frágeis e pontuais. Sem uma reforma estrutural que desincentive o crime com punições efetivas, novos casos como este continuarão a surgir.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.