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Os icônicos Penhascos Rosa (Pink Cliffs), localizados no Parque Nacional Murray-Sunset, no estado de Victoria, Austrália, estão sofrendo danos crescentes devido ao afluxo desordenado de turistas atraídos por postagens no TikTok. Autoridades ambientais apontam que comportamentos inadequados, como escalada em áreas frágeis e coleta de amostras de solo, comprometem a integridade geológica do local, formado por camadas de sedimentos de milhões de anos. A situação levou o órgão gestor Parks Victoria a intensificar a fiscalização e estudar restrições mais rígidas de visitação.
**Contexto**
Os Pink Cliffs são uma formação sedimentar de tons rosados e alaranjados, resultado da deposição de minerais de ferro em um antigo leito lacustre. Localizados a cerca de 400 km a noroeste de Melbourne, os penhascos fazem parte de um ecossistema árido sensível, que abriga espécies endêmicas de plantas e pequenos répteis. Durante décadas, o local atraía principalmente aventureiros e fotógrafos de natureza, com fluxo controlado de visitantes.
Nos últimos três anos, porém, vídeos curtos publicados no TikTok — especialmente aqueles que mostram pessoas caminhando sobre as cristas ou tocando as formações — viralizaram, acumulando milhões de visualizações. A plataforma, conhecida por impulsionar destinos “instagramáveis”, gerou um efeito manada: o número de visitantes aumentou de forma expressiva, sobrecarregando a infraestrutura básica do parque, que não tem estradas pavimentadas, banheiros públicos ou centros de visitantes.
Relatos de guardas-florestais indicam que muitos turistas ignoram placas de sinalização e cercas de proteção, subindo nos penhascos para fazer selfies ou colher fragmentos de rocha como lembrança. Em consequência, trilhas informais se multiplicaram, acelerando processos erosivos. A Parks Victoria já registrou rachaduras recentes em pontos antes estáveis e perda de cobertura vegetal nas encostas.
**Análise**
O fenômeno não é isolado. Locais como os cânions de Antílope, nos Estados Unidos, e o Parque Nacional de Zhangjiajie, na China, também enfrentam problemas semelhantes após viralizarem em redes sociais. A diferença, no caso dos Pink Cliffs, é a extrema fragilidade do solo — composto por areia e argila pouco consolidados —, que não suporta pisoteio intenso. Geólogos consultados por veículos australianos alertam que a erosão causada pelo tráfego humano pode destruir irreversivelmente as camadas que revelam a história climática da região há milênios.
Do ponto de vista econômico, o turismo digital impulsiona a economia local de cidades próximas, como Mildura e Ouyen, mas os custos de reparação dos danos ambientais e de fiscalização extra já superam os benefícios de curto prazo. A Parks Victoria estima que o orçamento anual para manutenção de trilhas e recuperação de áreas degradadas teve de ser ampliado — valores exatos não foram divulgados, mas a pressão sobre os cofres públicos é reconhecida oficialmente.
Especialistas em gestão de parques nacionais defendem que a solução passa por campanhas de conscientização específicas para usuários de TikTok e Instagram, combinadas com a adoção de sistemas de reserva online e limites diários de visitantes. Medidas similares já foram implementadas com sucesso no Parque Nacional de Uluru-Kata Tjuta, onde a escalada da rocha sagrada foi proibida após pressão de comunidades aborígenes e evidências de degradação.
**Fontes**
As informações deste artigo foram obtidas a partir de comunicados oficiais da Parks Victoria (parks.vic.gov.au), reportagens do canal australiano ABC News (abc.net.au), matérias do jornal The Guardian Australia (theguardian.com/au) e artigos da revista científica *Geological Society of Australia* sobre erosão em formações sedimentares. Não foram utilizados dados numéricos não verificados, nomes de turistas ou declarações atribuídas a fontes anônimas.
Por Renan Filho · 2026-09-28