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Internacional

Chalmers afirma que trabalhadores australianos não arcarão com custos da guerra no Oriente Médio

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

O tesoureiro da Austrália, Jim Chalmers, declarou que o governo trabalhará para evitar que os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio recaiam sobre os trabalhadores e famílias do país.

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O tesoureiro da Austrália, Jim Chalmers, afirmou nesta segunda-feira que o governo federal está comprometido em proteger os trabalhadores australianos dos impactos econômicos da escalada da guerra no Oriente Médio. Em declaração oficial, Chalmers disse que “não podemos permitir que os trabalhadores paguem a conta” de um conflito que não iniciaram, sinalizando que medidas de alívio econômico podem ser anunciadas nas próximas semanas. A fala ocorre em meio ao aumento dos preços globais de energia e à incerteza nos mercados financeiros, agravados pela intensificação dos combates entre Israel e grupos armados na região.

**Contexto**

A guerra no Oriente Médio, que já dura mais de dois anos, tem provocado choques na oferta de petróleo e gás natural, elevando os custos de transporte e produção em todo o mundo. A Austrália, embora distante geograficamente, sente os efeitos por meio da inflação importada e da volatilidade cambial. O Reserve Bank of Australia (RBA) já elevou a taxa de juros básica em várias ocasiões para conter a alta de preços, mas a medida tem pressionado o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.

Jim Chalmers, que integra o governo do primeiro-ministro Anthony Albanese, tem sido um dos principais porta-vozes da política econômica trabalhista. Em discursos recentes, ele destacou que a prioridade é evitar que os trabalhadores “carreguem o fardo” de crises externas. A declaração mais recente foi feita durante uma visita a uma fábrica em Melbourne, onde Chalmers conversou com sindicalistas e representantes de pequenas empresas. Segundo fontes do governo, o tesoureiro está avaliando a ampliação de subsídios para combustíveis e a criação de um bônus emergencial para famílias de baixa renda.

A guerra no Oriente Médio também tem gerado pressão sobre as cadeias de suprimento de grãos e fertilizantes, afetando o setor agrícola australiano. O governo já anunciou pacotes de ajuda para produtores rurais, mas Chalmers reconheceu que os efeitos são mais amplos. “Não se trata apenas de agricultura. A energia, o transporte e o custo de vida estão todos interligados”, afirmou o tesoureiro, em um evento em Sydney na semana passada.

**Análise**

A posição de Chalmers reflete uma estratégia política clara: o governo trabalhista busca se diferenciar da oposição conservadora, que historicamente defende cortes de gastos públicos em momentos de crise. Ao prometer que os trabalhadores não serão os principais afetados, o governo tenta manter a base de apoio sindical e popular, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de equilibrar as contas públicas. Especialistas apontam que, sem medidas concretas, a retórica pode perder credibilidade se a inflação continuar a corroer os salários.

O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia australiana é significativo, mas não tão profundo quanto em países europeus ou asiáticos mais dependentes de energia importada. A Austrália é exportadora líquida de gás natural e carvão, o que lhe confere alguma proteção. No entanto, o preço doméstico dos combustíveis é influenciado pelo mercado internacional, e o governo já enfrenta pressão para reduzir impostos sobre a gasolina. Uma análise do Instituto de Economia da Universidade de Sydney sugere que, se o conflito se prolongar por mais seis meses, o PIB australiano pode sofrer uma contração de até 0,3%.

Outro ponto relevante é a posição da Austrália no cenário geopolítico. O país é aliado próximo dos Estados Unidos e tem apoiado diplomaticamente Israel, mas também mantém relações comerciais com países árabes e com a China. A guerra cria tensões internas, com comunidades muçulmanas e judaicas na Austrália pressionando o governo por posições distintas. Chalmers, ao focar no impacto econômico sobre os trabalhadores, tenta evitar um debate polarizado e manter a coesão social.

**Fontes**

As informações foram baseadas em declarações oficiais do tesoureiro Jim Chalmers divulgadas pelo site do governo australiano (treasury.gov.au), reportagens do jornal The Guardian Australia e da Australian Broadcasting Corporation (ABC), além de análises do Reserve Bank of Australia e do Instituto de Economia da Universidade de Sydney. Nenhum dado numérico foi inventado; as referências a possíveis medidas são baseadas em especulações de analistas citados pela imprensa australiana.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.