O deputado federal Santilli deu sequência, nesta semana, à rodada de conversas com governadores de diferentes estados brasileiros com um objetivo estratégico: construir um entendimento mínimo sobre a relação do Brasil com a Argentina em um momento de incerteza econômica e institucional no país vizinho. Em publicação nas redes sociais, Santilli reforçou que o diálogo com os mandatários estaduais é essencial para que as políticas públicas brasileiras não sejam contaminadas pelo populismo que afunda a economia argentina.
Durante os encontros, realizados em Brasília, o parlamentar defendeu que o Brasil deve manter sua soberania monetária e fiscal, sem se curvar a pressões externas. "Não podemos repetir o erro argentino de achar que o Estado resolve tudo. O Estado gasta mal, tributa demais e entrega pouco", afirmou em uma das reuniões, segundo relato de participantes. A declaração, embora dura, reflete a preocupação de um grupo crescente de políticos com a escalada da intervenção estatal na América do Sul.
O contexto é sensível. A Argentina enfrenta uma crise inflacionária severa, com projeções que ultrapassam 100% ao ano, e um déficit fiscal crônico. Para Santilli, o Brasil precisa aprender com os erros alheios e avançar com reformas estruturais que reduzam o tamanho da máquina pública. "Cada real gasto pelo governo é um real tirado do setor produtivo", disse o deputado, em tom de alerta, durante encontro com governadores do Sul e do Centro-Oeste.
Por que isso importa? Porque a política externa brasileira não pode ser refém de alianças ideológicas que custam caro ao contribuinte. O alinhamento automático com governos de esquerda, como o argentino, historicamente resultou em linhas de financiamento generosas do BNDES e da Caixa Econômica, com contrapartidas duvidosas e retorno pífio para o desenvolvimento nacional. Santilli, ao reunir governadores, busca justamente romper com esse modelo e defender que o Brasil adote uma postura de cooperação comercial, mas sem abrir mão da responsabilidade fiscal interna.
A análise FORTIS é direta: a pauta defendida por Santilli é a única capaz de tirar o Brasil do atoleiro. O Estado brasileiro, que já consome mais de 35% do PIB, precisa urgentemente de um choque de eficiência. A aproximação com governadores é um passo político inteligente, pois eles conhecem de perto as dificuldades de arrecadação e a necessidade de reformas que desburocratizem a vida de quem produz. No entanto, é preciso ir além: é necessário que essa articulação se transforme em propostas concretas, como a aprovação da reforma administrativa e o fim de privilégios setoriais.
Contraponto: críticos podem argumentar que a crise argentina não deve pautar a política brasileira e que cada país tem suas particularidades. Há ainda quem diga que o diálogo com governadores de oposição seria uma estratégia eleitoral. De fato, é preciso observar os desdobramentos com olhar cético. Mas os fatos são teimosos: a Argentina, que já foi uma das maiores economias do mundo, hoje amarga controles de câmbio e uma pobreza que atinge mais de 40% da população. Ignorar esse exemplo não é apenas um erro; é uma escolha deliberada pelo fracasso.
Por Renan Filho · 2026-09-26