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Economia

PMEs argentinas sufocadas: o Estado gasta mal, tributa demais e entrega quase nada

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Enquanto Buenos Aires discute reformas, pequenas e médias empresas enfrentam carga tributária de 103% sobre o lucro, burocracia paralisante e um câmbio que desestimula exportar. Dados oficiais mostram que, sem choque de livre mercado, o país continuará perdendo seu motor econômico.

As pequenas e médias empresas (PMEs) argentinas, responsáveis por 70% do emprego formal no país, estão no centro de um debate que mistura sobrevivência e ideologia. Enquanto o governo de Javier Milei tenta implementar um programa de ajuste fiscal e desregulamentação, os números do primeiro semestre de 2025 indicam que a recuperação ainda não chegou ao chão de fábrica. Dados do INDEC mostram que a atividade industrial acumula queda de 8,3% em 12 meses, e as PMEs do setor de comércio e serviços operam com margens líquidas negativas em 40% dos casos, segundo a CAME (Confederación Argentina de la Mediana Empresa).

O problema central não é falta de vontade empreendedora, mas um Estado que gasta mal, tributa demais e entrega pouco. A alíquota efetiva total sobre o lucro de uma PME argentina chega a 103%, considerando impostos nacionais (Imposto de Renda, IVA, Contribuições Patronais), provinciais (Ingressos Brutos) e municipais (Taxas de Segurança e Higiene). Esse dado, compilado pelo Instituto Argentino de Análise Fiscal (IARAF), é o mais alto da América Latina e supera em 30 pontos percentuais a média da região. Na prática, significa que qualquer expansão ou contratação adicional é punida pelo fisco.

Por que isso importa? Porque a Argentina não pode se dar ao luxo de perder seu principal gerador de empregos. Com uma taxa de pobreza de 41,7% no segundo trimestre de 2025 (INDEC), a retomada do consumo depende diretamente da capacidade das PMEs de contratar e investir. O governo Milei acertou ao eliminar 50 mil cargos públicos e reduzir o déficit fiscal primário para 0,3% do PIB, mas a carga tributária sobre o setor produtivo continua sendo um entrave estrutural que nenhum ajuste monetário resolve sozinho.

Análise FORTIS: A verdade factual, acima de qualquer narrativa política, é que a Argentina precisa de um choque de livre mercado que vá além do corte de gastos. O Estado mínimo defendido por liberais-conservadores não é apenas uma bandeira ideológica — é uma necessidade aritmética. Enquanto o governo gasta 42% do PIB (dados do Ministério da Economia), as PMEs pagam a conta com juros altos, câmbio atrasado e uma burocracia que consome 18% do faturamento anual apenas com custos de conformidade (Banco Mundial, Doing Business 2024).

Contraponto: Críticos do governo Milei, como o economista Matías Kulfas (ex-ministro do kirchnerismo), argumentam que a desregulamentação abrupta favorece grandes conglomerados e deixa as PMEs desprotegidas. Dados do Observatório de Políticas Públicas da UBA mostram que, de fato, a concentração de mercado aumentou 5% nos setores de alimentos e bebidas desde a desregulamentação de preços. No entanto, o mesmo estudo aponta que a abertura comercial permitiu a 12 mil PMEs importarem insumos com preços 30% menores, reduzindo custos de produção. O problema não é a abertura, mas a falta de linhas de crédito competitivas — os juros reais ainda giram em torno de 18% ao ano, contra 4% no Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.