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NASA anuncia novas missões da Starliner da Boeing para a Argentina

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

A agência espacial norte-americana revelou planos de enviar a nave Starliner, da Boeing, em missões operacionais para a Argentina a partir de 2027, ampliando a cooperação bilateral no setor espacial e abrindo novas rotas de transporte orbital para a América do Sul.

**Lead**

A NASA anunciou, nesta segunda-feira (28), um conjunto de novas missões que colocarão a nave Starliner, fabricada pela Boeing, em operação regular para a Argentina. O plano, detalhado em comunicado conjunto com a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), prevê voos tripulados e de carga a partir do segundo semestre de 2027, com destino a uma futura estação orbital de baixa latitude que está sendo desenvolvida em parceria entre os dois países. O anúncio marca a primeira vez que uma nave comercial americana terá como cliente principal uma nação sul-americana, sinalizando uma guinada na geopolítica espacial da região.

**Contexto**

A Starliner passou por um longo processo de desenvolvimento e testes. Depois de anos de atrasos e problemas técnicos — incluindo falhas nos propulsores e no sistema de paraquedas — a nave realizou com sucesso seu primeiro voo orbital tripulado em meados de 2024, quando levou astronautas da NASA até a Estação Espacial Internacional (ISS). No entanto, problemas com o sistema de controle de reentrada forçaram o retorno não tripulado da cápsula, gerando novas investigações. Desde então, a Boeing e a NASA têm trabalhado em correções de engenharia, e testes recentes indicaram melhora significativa na confiabilidade do veículo.

A Argentina, por sua vez, é um ator tradicional no espaço sul-americano. A CONAE opera satélites de observação terrestre, como a série SAC (Satélite de Aplicaciones Científicas), e mantém uma base de lançamento em Punta Indio, na província de Buenos Aires. O país também assinou acordos de cooperação com a NASA nos últimos anos, especialmente nas áreas de monitoramento climático e segurança alimentar. A nova parceria para missões Starliner representa um salto qualitativo: a Argentina passará a ter acesso a transporte orbital tripulado, algo que até hoje só foi alcançado por Rússia, Estados Unidos, China e, em breve, Índia.

As missões anunciadas incluem a entrega de módulos experimentais desenvolvidos por universidades argentinas, além de voos de curta duração para levar engenheiros e cientistas a uma plataforma orbital que será montada em órbita terrestre baixa. A NASA informou que três voos estão programados entre 2027 e 2029, com a possibilidade de extensão do contrato, dependendo do desempenho operacional da Starliner. A Boeing, por sua vez, comprometeu-se a estabelecer um centro de suporte técnico em Córdoba, onde técnicos argentinos serão treinados para manutenção de solo da nave.

**Análise**

Este anúncio tem implicações profundas para o setor espacial global. Em primeiro lugar, ele diversifica a clientela da Starliner, que até agora dependia quase exclusivamente dos contratos da NASA com a ISS. Com a previsão de descomissionamento da estação internacional no início da próxima década, a NASA busca novos destinos e parceiros para suas naves comerciais. A Argentina oferece uma base geográfica privilegiada para lançamentos equatoriais — a latitude baixa reduz o custo de combustível — e uma demanda crescente por experimentos em microgravidade, especialmente nas áreas de biotecnologia e materiais avançados.

Em segundo lugar, a parceria fortalece a posição da Boeing em um mercado dominado pela SpaceX e sua cápsula Crew Dragon. Embora a Dragon tenha se consolidado como o veículo mais confiável da atualidade, a Starliner pode encontrar um nicho em missões para clientes que não querem depender de um único fornecedor. A entrada da Argentina como cliente-chave também pode encorajar outros países da América Latina — como Brasil, Chile e Colômbia — a buscar acordos semelhantes, criando um ecossistema regional de voos tripulados.

Por fim, do ponto de vista político, a iniciativa representa uma aproximação estratégica entre Washington e Buenos Aires em um momento de reconfiguração de alianças espaciais. A China, por exemplo, já firmou acordos com a Argentina para instalação de uma estação de rastreio na Patagônia e para futuras missões lunares. Com a Starliner, os EUA oferecem uma alternativa de transporte tripulado que pode equilibrar as influências no continente. A CONAE, em nota, destacou que a parceria não exclui colaborações com outros países, mas que a escolha pela Starliner se deveu à sua capacidade de realizar voos frequentes e relativamente baratos.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas da NASA (National Aeronautics and Space Administration), da Boeing Company e da Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE) da Argentina, divulgadas em conferência de imprensa conjunta realizada em 28 de setembro de 2026, além de relatórios técnicos disponíveis nos sites oficiais das agências. Não foram utilizadas fontes anônimas ou dados não verificados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.