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Cultura

Lali Espósito quebra recordes: terceiro River Plate lotado e filme favorito em San Sebastián – o sucesso que a Argentina precisa?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

A cantora e atriz argentina Lali Espósito esgotou pela terceira vez o Estádio Monumental de River Plate, enquanto seu mais novo filme é apontado como forte candidato ao prêmio principal no Festival de San Sebastián. Um sucesso que nasce do mercado, não do Estado.

Lali Espósito voltou a fazer história. No último sábado, a artista argentina lotou pela terceira vez o Estádio Monumental de River Plate, em Buenos Aires, reunindo mais de 70 mil pessoas em cada apresentação. O feito foi anunciado em suas redes sociais, com agradecimentos ao público. “Mais uma vez, River foi casa. Obrigada a cada um que fez isso possível”, escreveu a cantora em publicação no Instagram.

Enquanto isso, o cinema argentino também colhe frutos. O mais recente filme estrelado por Lali, ainda sem título oficial em português, foi selecionado para a competição oficial do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha. Segundo críticos especializados e casas de apostas europeias, a produção é uma das favoritas ao prêmio de melhor filme. Caso vença, será a primeira vez que uma obra argentina leva o cobiçado troféu desde 2018.

O fenômeno Lali não é fruto de incentivos fiscais generosos ou de políticas públicas de fomento cultural. Pelo contrário. A Argentina é um dos países com maior carga tributária sobre o setor artístico — o imposto de renda para artistas pode ultrapassar 35%, e o IVA sobre shows chega a 21%. Em declaração à imprensa local, a própria Lali já reclamou dos altos custos para produzir no país: “É caro, muito caro. Mas a gente se vira, porque a demanda existe.”

Por que isso importa? Porque o sucesso de Lali prova que, mesmo com um Estado que tributa excessivamente e entrega pouco (a infraestrutura do River Plate, por exemplo, é privada), o talento e a iniciativa individual ainda conseguem gerar riqueza e projeção internacional. Não há subsídio que explique três estádios lotados ou um filme competitivo em San Sebastián. O que há é uma artista que entendeu o mercado, construiu uma marca forte e entrega valor ao público.

Análise FORTIS: Enquanto a esquerda argentina insiste em taxar ainda mais os “ricos do entretenimento” e defender cotas obrigatórias para conteúdo nacional, Lali mostra que o caminho é outro. Ela não precisa de cota — ela compete de igual para igual com artistas globais. O dinheiro que o governo argentino arranca do setor cultural, via impostos, poderia ser reinvestido em educação básica ou segurança. Mas prefere-se incha a máquina estatal. O que vemos é um exemplo claro de que o livre mercado, quando não sufocado, gera excelência.

Contraponto: Críticos progressistas, especialmente nos sindicatos de artistas, defendem que sem o financiamento público via INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales) filmes como o de Lali jamais existiriam. De fato, o filme recebeu crédito fiscal do INCAA — mas esse crédito existe porque o próprio setor paga altos impostos. Trata-se de uma redistribuição ineficiente: o Estado pega de um artista e dá a outro, com uma enorme burocracia no meio. Se o imposto fosse menor, cada artista poderia reinvestir diretamente em seus projetos, sem intermediários.

Outro ponto levantado por setores da esquerda é que shows como os três de Lali seriam inviáveis sem a proteção do mercado interno argentino contra importações culturais. Ora, a Argentina hoje vive uma crise cambial que encarece artistas estrangeiros, mas Lali compete com eles? Sim, e ganha. O público argentino está pagando para ver uma argentina — não por obrigação, mas por preferência. Isso é soberania cultural legítima, não protecionismo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.