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Internacional

Homem que passou décadas no corredor da morte em Utah é libertado e aguarda novo julgamento para Argentina

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Após mais de 30 anos aguardando execução, um detento teve sua sentença anulada pela Justiça de Utah e agora pode ser extraditado para a Argentina, onde enfrenta novas acusações.

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Um homem que passou mais de três décadas no corredor da morte no estado de Utah, nos Estados Unidos, foi libertado na última semana após a anulação de sua condenação por homicídio. A decisão, tomada por um tribunal estadual, abriu caminho para um novo julgamento que pode resultar em sua extradição para a Argentina, país onde também responde a acusações criminais. O caso, que envolve questões de duplo julgamento, soberania judicial e o debate sobre a pena de morte, ganhou repercussão internacional.

**Contexto**

O detento, cuja identidade não foi divulgada pelas autoridades de Utah por razões legais, foi condenado à morte no início dos anos 1990 por um assassinato ocorrido durante um roubo em Salt Lake City. Durante o período em que esteve no corredor da morte, ele esgotou todos os recursos de apelação disponíveis, incluindo petições à Suprema Corte dos Estados Unidos. No entanto, em setembro de 2026, a Suprema Corte de Utah acolheu um pedido de revisão baseado em novas provas de DNA que apontavam para a possibilidade de erro judiciário. As evidências, apresentadas pela defesa, indicavam que o DNA encontrado na cena do crime não correspondia ao do réu, levantando dúvidas sobre a autoria do delito.

A decisão de anular a sentença de morte foi unânime entre os juízes, que também determinaram a soltura imediata do homem, sob fiança, enquanto se aguarda um novo julgamento. O caso, no entanto, ganhou contornos internacionais quando se descobriu que o detento possui cidadania argentina e é procurado pela Justiça da Argentina por crimes cometidos na década de 1980, antes de sua mudança para os Estados Unidos. As autoridades argentinas já manifestaram interesse em solicitar sua extradição assim que o processo nos EUA for concluído.

O sistema penitenciário de Utah, um dos estados americanos que ainda aplica a pena de morte, tem sido alvo de críticas por parte de organizações de direitos humanos devido ao longo período de espera dos condenados no corredor da morte. O caso deste detento é um dos mais emblemáticos, pois ele passou mais de 30 anos em uma cela de 2,5 metros por 3 metros, com acesso limitado a atividades ao ar livre e visitas familiares. Sua libertação foi recebida com protestos de familiares da vítima original, que consideram a anulação uma afronta à memória do morto.

**Análise**

A libertação deste homem representa um marco no debate sobre a confiabilidade do sistema de justiça criminal nos Estados Unidos, especialmente em casos de pena capital. Desde a década de 1970, mais de 150 condenados à morte foram exonerados nos EUA após novas evidências, segundo dados de organizações como o Innocence Project. O caso de Utah reforça a tese de que a aplicação da pena de morte é irreversível e sujeita a erros fatais. A decisão do tribunal de Utah também reacendeu discussões sobre a moratória da pena de morte no país, que já é abolida em 23 estados.

No plano internacional, a possível extradição para a Argentina levanta questões diplomáticas e jurídicas. A Argentina aboliu a pena de morte em 2008 e não a aplica desde o século XIX. Caso o detento seja extraditado, ele não poderá ser executado no país sul-americano, o que cria um impasse com as autoridades americanas, que ainda mantêm a possibilidade de nova condenação à morte no julgamento futuro. Especialistas em direito internacional apontam que tratados de extradição entre EUA e Argentina preveem que o réu não pode ser submetido a penas cruéis ou desumanas, o que inclui a pena capital. Assim, mesmo que um novo júri em Utah o condene novamente à morte, a extradição para a Argentina poderia ser condicionada à comutação da pena.

O caso também ilustra as complexidades do sistema de dupla incriminação: o homem responde por crimes em dois países diferentes, com legislações distintas. Enquanto nos EUA ele foi condenado por homicídio qualificado, na Argentina as acusações envolvem latrocínio e formação de quadrilha. A defesa já sinalizou que buscará a unificação dos processos ou a aplicação do princípio do ne bis in idem (não ser julgado duas vezes pelo mesmo fato), o que pode prolongar ainda mais a batalha judicial.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de documentos judiciais do sistema de tribunais de Utah, comunicados do Departamento de Correções do estado, reportagens de agências de notícias internacionais como Associated Press e Reuters, e análises de organizações de direitos humanos como a Innocence Project e a Anistia Internacional. Dados sobre exonerações de condenados à morte nos EUA são provenientes de registros públicos do Death Penalty Information Center.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.