Buenos Aires, 26 de setembro de 2026 — A crise econômica argentina não é novidade, mas o dado mais recente do INDEC é brutal: a inflação acumulada em 12 meses ultrapassou 220%, e o preço dos alimentos subiu 250% no mesmo período. Na prática, um quilo de carne que custava 2.500 pesos em setembro de 2025 agora custa quase 9.000. Diante disso, a pergunta que todo argentino faz é: como comer bem sem quebrar? A resposta, ainda que desconfortável para os defensores do Estado onipresente, passa por menos governo e mais mercado.
A narrativa oficial insiste que a solução é tabelar preços, controlar margens e distribuir subsídios. Os resultados estão aí: os supermercados amanhecem com prateleiras vazias de óleo e leite, enquanto o mercado negro desses itens floresce com preços ainda maiores. Dados do Banco Central argentino mostram que a emissão monetária para cobrir déficits fiscais foi a principal causa da disparada inflacionária — um clássico erro de Estado grande que tributa demais, gasta mal e entrega pouco.
**Por que isso importa** A alimentação adequada é direito básico, mas transformá-la em dependência estatal é o caminho mais curto para a miséria. Cada peso que o governo tira do contribuinte para financiar programas assistenciais mal desenhados é um peso a menos no bolso de quem trabalha. Na Argentina, os impostos sobre alimentos chegam a 35% do valor final, segundo a Fundação Mediterrânea. Ou seja, o próprio Estado encarece a comida e depois tenta remediar com auxílios que só alimentam a inflação.
**Análise FORTIS** O liberal-conservadorismo não ignora a realidade da crise — ele propõe soluções factíveis. O que o mercado pode fazer, e já faz onde é deixado livre, é oferecer alternativas de menor custo. Em bairros de Buenos Aires onde há feiras livres desregulamentadas, o preço dos vegetais é 40% menor do que nos supermercados regulados. A compra a granel de arroz, feijão e lentilhas reduz o custo em até 30% em relação a produtos embalados com impostos e taxas. A saída não é esperar por um cheque do governo, mas usar a inteligência do consumidor e a concorrência entre produtores.
Além disso, a abertura comercial — que o kirchnerismo tanto combate — baratearia imediatamente itens como trigo, milho e óleo de soja. Um estudo do IERAL (Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-americana) aponta que a eliminação das retenções às exportações agropecuárias, combinada com a redução de tarifas de importação de alimentos processados, poderia derrubar os preços ao consumidor em até 15% no prazo de seis meses. Mas o governo prefere manter barreiras para 'proteger a indústria nacional' — indústria que, monopólio em mãos de amigos do poder, só entrega produtos caros e de baixa qualidade.
**Contraponto** Críticos dirão que o livre mercado não alimenta quem não tem renda. É verdade: pessoa desempregada não compra nem com preço baixo. Mas a geração de empregos está travada exatamente pela mesma política que nos trouxe à crise: impostos confiscatórios, burocracia asfixiante e moeda podre. A solução keynesiana de mais gasto público já foi testada na Argentina — e o resultado é a inflação que vemos. O caminho liberal-conservador, oposto, prega a estabilidade monetária via dolarização ou criptomoeda lastreada, corte de gastos supérfluos do Estado (como os mais de 300 mil cargos públicos sem função), e desburocratização para que o setor privado gere empregos de verdade.
Enquanto isso, o cidadão comum não pode esperar. A dica prática, apoiada por nutricionistas independentes ouvidos pela imprensa local, é priorizar alimentos in natura, evitar ultraprocessados (que carregam mais impostos e margens), cozinhar em casa e formar redes de compra coletiva. Dados do Observatório de Preços da Universidade de La Plata mostram que uma família de quatro pessoas que adota essas práticas consegue reduzir o gasto mensal com alimentação em 25%, mantendo o valor nutricional.
**1. Como evitar a inflação na hora de comprar comida sem depender do governo?** A principal ferramenta é a informação. Use apps de comparação de preços — na Argentina existem plataformas como 'Precios Claros' que mostram variações de até 60% entre supermercados da mesma região. Compre frutas e verduras em feiras livres, que são menos reguladas e têm menor carga fiscal. Estoque não perecíveis quando houver promoções. E, acima de tudo, evite alimentos com marca: os genéricos de rede custam 30% menos e têm a mesma procedência.
**2. O governo argentino pode adotar medidas de livre mercado sem gerar mais caos?** Sim. A história recente mostra que a desregulamentação do setor de grãos, em 2016, aumentou a produção e reduziu o preço da farinha em 12% antes de o governo voltar a intervir. Um programa de austeridade fiscal sério, com corte de subsídios distorcivos e abertura comercial gradual, é a única saída duradoura. Não é caos — é ordem baseada em incentivos corretos. Ocaos é continuar imprimindo pesos para pagar políticos e ver a comida sumir das prateleiras.
Por Renan Filho · 2026-09-26