Na última semana, a escritora e psicanalista Marta Harwicz foi expulsa do 'Festival de la Palabra' realizado em Rosário, Argentina, após declarações polêmicas sobre identidade de gênero e feminismo. O incidente, que começou como uma briga local entre organizadores e uma convidada, rapidamente escalou para um caso de repercussão mundial com manifestações de apoios e críticas vindo de todos os lados.
O festival, organizado com recursos públicos provinciais, havia convidado Harwicz para participar de uma mesa sobre 'Os limites da literatura contemporânea'. Durante sua fala, a escritora questionou o que chamou de 'dogmas progressistas' e criticou leis de linguagem neutra adotadas em algumas cidades argentinas. Em publicação nas redes sociais, Harwicz afirmou que 'foi interrompida por vaias e, em seguida, um representante do festival pediu que ela se retirasse por violar as regras de convivência do evento'.
O que poderia ter sido um episódio menor foi amplificado pela reação desproporcional dos organizadores. Em comunicado oficial, o festival justificou a expulsão alegando que a escritora 'instigou o ódio contra minorias e promoveu discursos de exclusão'. No entanto, vídeos amadores publicados na internet mostram que Harwicz não usou linguagem agressiva, apenas expressou opiniões dissidentes sobre pautas caras à esquerda argentina.
Por que isso importa? Porque a Argentina, que já foi líder em liberdade de imprensa na América Latina, vive hoje uma crescente censura cultural institucionalizada. O governo kirchnerista, embora não tenha participado diretamente, financia grande parte dos festivais literários do país. Quando um evento com verba pública expulsa uma escritora por discordância ideológica, cria-se um precedente perigoso: o cidadão que paga impostos financia a intolerância contra vozes que não se alinham ao pensamento único progressista.
Análise FORTIS: Do ponto de vista liberal-conservador, o caso ilustra perfeitamente como a tentativa de calar uma opinião minoritária gera o efeito contrário. Marta Harwicz tinha uma circulação modesta no meio intelectual argentino; hoje, tem seu nome estampado em veículos como The New York Times, El País e Folha de S.Paulo. O festival, que queria evitar 'polêmica', transformou uma escritora mediana em mártir da liberdade de expressão. Além disso, a publicidade mundial para a Argentina não é positiva: o país é retratado como um lugar onde o pensamento divergente não é tolerado mesmo em eventos culturais. Isso pode impactar o turismo, a atração de eventos internacionais e, a longo prazo, a competitividade econômica, já que talentos criativos fogem de ambientes repressivos.
Contraponto: Defensores do festival argumentam que eventos privados têm o direito de definir seus próprios códigos de conduta e que a expulsão foi legítima. De fato, nenhuma lei argentina obriga um festival a convidar quem quiser. Porém, o problema é que a maior parte da verba desse festival vem de impostos cobrados de todos os cidadãos. Se o dinheiro é público, a pluralidade de vozes deve ser garantida, mesmo que algumas sejam desconfortáveis. A atitude do festival reflete um padrão observado em outras esferas: a esquerda cultural usa o Estado para sufocar o debate, enquanto se diz defensora da diversidade. A realidade é que diversidade de verdade inclui até mesmo opiniões impopulares.
Por Renan Filho · 2026-09-26