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Um casal espanhol que vive em Assunção, no Paraguai, há cinco meses chama a atenção de outros nômades digitais ao compartilhar a rotina de trabalho remoto com uma carga tributária muito menor do que a enfrentada na Espanha. Em relatos publicados nas redes sociais, eles destacam que pagam cerca de 10% de imposto sobre a renda no Paraguai, contra alíquotas que podem superar 40% na Espanha para faixas mais altas. O caso ganhou repercussão entre profissionais de tecnologia que enxergam no país sul-americano uma alternativa para manter o padrão de vida e investir em inovação.
**Contexto**
A história do casal — que prefere não ter os sobrenomes divulgados por questões de privacidade — é parte de um movimento crescente de trabalhadores remotos que buscam destinos com custo de vida acessível e tributação favorecida. Eles atuam em áreas ligadas ao desenvolvimento de software e à gestão de produtos digitais, o que permite levar o escritório para qualquer lugar do mundo com uma conexão estável de internet.
No Paraguai, o imposto de renda para pessoas físicas que exercem atividades no exterior é consideravelmente mais baixo do que na Espanha. Enquanto o sistema tributário espanhol pode tributar rendimentos de trabalho no exterior em até 47% para os maiores salários, o Paraguai adota uma alíquota máxima de 10% para a renda obtida no estrangeiro, dependendo da estrutura jurídica escolhida. Essa diferença de quase 40 pontos percentuais tem atraído profissionais de diversos países, não apenas da Europa.
A escolha por Assunção, a capital paraguaia, não foi aleatória. A cidade oferece um fuso horário próximo ao de Madri — apenas cinco horas de diferença no verão europeu —, o que facilita o trabalho em horário comercial com empresas espanholas e de outros países da União Europeia. Além disso, o custo de vida na capital paraguaia é significativamente menor do que em cidades como Madri ou Barcelona, especialmente em relação a moradia, alimentação e serviços de saúde.
Especialistas em mobilidade internacional explicam que o Paraguai se tornou um polo emergente para nômades digitais na América do Sul, sobretudo depois da pandemia de covid-19, quando o trabalho remoto se consolidou em escala global. O país oferece um visto de residência temporária para estrangeiros que comprovem renda ou investimento, e a burocracia, embora exista, é considerada mais simples do que em outros países da região.
**Análise**
A experiência do casal espanhol ilustra uma tendência que vai além do turismo: a transformação do Paraguai em um hub de trabalhadores do conhecimento. Para profissionais de tecnologia, a possibilidade de reduzir a carga tributária sem abrir mão de uma carreira internacional é um atrativo poderoso. Em um mercado cada vez mais competitivo, a localização geográfica perde importância diante da capacidade de gerar renda em moeda forte e de acessar infraestrutura digital de qualidade.
No entanto, especialistas alertam que a mudança para um novo país envolve planejamento jurídico e tributário cuidadoso. Não basta simplesmente se mudar e continuar recebendo em euros; é preciso entender as regras de residência fiscal, os acordos de bitributação e as obrigações locais. No caso do Paraguai, a ausência de um acordo de dupla tributação com a Espanha pode gerar complexidades para quem mantém rendimentos no país de origem, o que exige acompanhamento profissional.
A longo prazo, o movimento de estrangeiros em busca de benefícios fiscais pode trazer impactos positivos para a economia paraguaia, como o aumento do consumo local, a valorização de imóveis e o fortalecimento de setores de serviços. Ao mesmo tempo, levanta questões sobre infraestrutura urbana e desigualdade social, já que o custo de vida em bairros nobres de Assunção tende a subir com a chegada de novos moradores com poder aquisitivo maior do que a média local.
Para o setor de tecnologia, a história do casal reforça a importância de políticas públicas que incentivem a inovação e a atração de talentos. Países como Estônia, Portugal e Costa Rica já criaram vistos específicos para nômades digitais, e o Paraguai começa a se posicionar nesse cenário. A experiência de quem vive na prática mostra que, além dos impostos, o que importa é a combinação entre segurança jurídica, qualidade de vida e conectividade — atributos que o país vem desenvolvendo aos poucos.
**Fontes**
O relato do casal foi originalmente compartilhado em perfis públicos nas redes sociais e repercutido em veículos de comunicação do Paraguai e da Espanha. As informações sobre tributação foram baseadas em publicações oficiais da Administração Nacional de Impostos do Paraguai e em análises de escritórios de contabilidade especializados em residência fiscal para estrangeiros. Dados sobre o sistema tributário espanhol foram obtidos junto à Agência Estatal de Administração Tributária da Espanha. O FORTIS NEWS não entrevistou o casal diretamente e não teve acesso a documentos pessoais, mas as declarações públicas foram verificadas até a data de publicação.
Por Renan Filho · 2026-09-29